Os primeiros 1000 dias – Reviva Nutrição

Os primeiros 1000 dias

Os primeiros 1000 dias

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Os pais têm uma oportunidade rara de influenciar o desenvolvimento dos filhos e de ajudá-los a se tornarem adultos mais saudáveis. Mas é preciso estar atento e agir rápido. Essa chance surge cedo e dura pouco. Começa na concepção e segue por apenas mil dias – os 270 da gestação mais os 730 dos dois primeiros anos de vida. Nesse período que cada célula do corpo está sendo formada e programada, os pais têm uma oportunidade rara de influenciar o desenvolvimento dos filhos e de ajudá-los a se tornarem adultos mais saudáveis.

 

É considerado um INTERVALO DE OURO, porque o crescimento e desenvolvimento nessa fase são maiores do que durante toda a vida. Ou seja, a genética não é soberana na determinação do potencial de crescimento e desenvolvimento da criança, cerca de 20% dos nossos genes são influenciados por fatores hereditários, enquanto até 80%, é influenciada por fatores ambientais como: medicamentos, estresse, infecções, exercícios e a nutrição.

 

Em princípio, a possibilidade de fazer uma criança que nasce com boa saúde crescer desse modo e assim permanecer por décadas, exige a adoção de medidas aparentemente simples: oferecer proteção e aconchego ao bebê e alimentá-lo adequadamente.

 

A alimentação apropriada inclui uma dieta equilibrada da mãe na gravidez, o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida e, a partir daí, a amamentação acompanhada de água, frutas, papinha de legumes e alimentos sólidos ricos em proteínas, vitaminas e sais minerais, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Durante a gestação, há uma relação importante entre os cuidados com a dieta materna influenciando a saúde da mamãe e do bebê e o aparecimento da obesidade nas idades posteriores. Estudos relatam que uma má dieta na gestação, além de infecções, exposições nocivas à poluição, fumo e álcool durante a vida intrauterina e nos primeiros anos de vida pode “programar” alterações permanentes na regulação do metabolismo energético, no controle do apetite e no funcionamento neuroendócrino, resultando em um aumento do risco de doenças na vida adulta como a obesidade e outras comorbilidades metabólicas. Ao nascer, o leite materno deve ser o primeiro, o mais importante e o melhor alimento para o bebê. Mais do que um conjunto de nutrientes, leite materno é um alimento vivo que contém substâncias com características protetoras.

 

Além de diminuir o risco contra infecções e alergias, contribui para o desenvolvimento do sistema imunológico e cerebral e a maturação do sistema digestório, além de aproximar mãe e filho ainda mais. E a sua composição é muito dinâmica e pode se modificar de acordo com a região onde a mãe vive, a duração do aleitamento, o momento do dia e a dieta materna, favorecendo com essa variação de sabor, a formação do repertório alimentar das crianças.

 

A partir do sexto mês de vida, a maioria das crianças atinge um estágio de desenvolvimento geral e neurológico (mastigação, deglutição, digestão e excreção) que permite que elas recebam outros alimentos. É uma fase de grande interesse pelo alimento e propício para a formação de um comportamento alimentar consciente. E essa introdução de novos alimentos deve ser aos poucos, um de cada vez, com intervalos de três a sete dias.

 

Quando a criança completa seu primeiro ano de vida, é o momento da sua alimentação ficar parecida com a da família, desde que essa alimentação seja saudável e balanceada, com as porções adequadas para cada faixa etária. Isso acontece porque seu sistema digestório está mais maduro e suas necessidades nutricionais mudam um pouco.

 

Investir em nutrição nos primeiros anos de vida é investir no futuro. Os hábitos alimentares adquiridos na infância têm grande possibilidade de ser mantidos por toda a vida. Afinal, a carga genética funciona como uma planta para uma construção: ela indica o que será construído – mas são as experiências, os fatores ambientais como a nutrição e o estilo de vida, que determinam como a construção do cérebro se dará e se ele formará uma base sólida para aprendizado, comportamento e saúde, ao longo de toda a vida.

 

Referências

 

KERZNER, Benny et al. A practical approach to classifying and managing feeding difficulties. Pediatrics, v. 135, n. 2, p. 344-353, 2015.

 

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola, SBP. 2012

 

VICTORA, C.G.; et al. Maternal and child undernutrition: consequences for adult health and human capital. Lancet. v. 371(9.609), p. 340-57. 26 jan. 2008.

 

ZORZETTO, Ricardo. Mil dias que valem uma vida. Pesquisa FAPESP, SP.2011.

 

Ticiane Aragão

Nutricionista CRN 16313

Clínica Reviva Nutrição

Pós Graduação em Nutrição Ortomolecular (FAPES/SP)

Pós Graduação em Nutrição Materno Infantil (Estácio)

WhatsApp: 99900-9301

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