Mediadores inflamatórios e sua Relação com a Adiposidade na Síndrome do Ovário Policístico – Reviva Nutrição

Mediadores inflamatórios e sua Relação com a Adiposidade na Síndrome do Ovário Policístico

Mediadores inflamatórios e sua Relação com a Adiposidade na Síndrome do Ovário Policístico

A síndrome do ovário policístico (SOP) é uma das desordens endócrinas mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, com prevalência de 5 a 7% nessa população. Está associada com uma grande quantidades de outras desordens, como hipertensão, obesidade, dislipidemia, resistência a insulina, aumento do andrógenos, diabetes tipo 2, diabetes gestacional e aumento no risco cardiovascular.

 

A obesidade está relacionada com um estado de inflamação crônica, que se manifesta pelo aumento nos níveis séricos de citocinas inflamatórias, assim como alterações na freqüência de linfócitos no sangue e sua função. As alterações decorrentes da obesidade não se manifestam apenas a ao nível do tecido adiposo, mas também a fígado e outras camadas. Esse processo inflamatório pode ser a causa subjacente de outras patologias como aterosclerose, diabetes e esteatose hepática.

 

Aproximadamente 60-70% das pacientes com SOP são obesas com um padrão de distribuição de gordura central, distribuída como obesidade visceral. Já a sensibilidade a insulina é observada em 35-40% dessas mulheres e é independente da obesidade, porém quando há ocorrência de obesidade essa ação da insulina é ainda menos efetiva.

 

Cerca de 50-70% de todas as mulheres com SOP tem um certo grau de resistência à insulina e isso tem uma grande relação com o risco aumentado para várias doenças, incluindo diabetes tipo2, hipertensão arterial, valores baixos de HDL, triglicerídeos acima do valor recomendado, disfunção endotelial e doenças cardiovasculares.

 

Os estudos mostram uma relação clara entre resistência à insulina e inflamação, os quais são importantes preditores de doença cardiovascular. Além disso, em mulheres com SOP e resistentes a ação da insulina, foi observado uma associação entre inflamação e alterações hormonais e metabólicas. As pacientes portadores de SOP apresentam valores alterados de proteína C reativa (PCR), um marcador inflamatório e preditor de doenças cardiovasculares. Além disso, os níveis circulantes de Fator de Necrose Tumoral (TNF-α), IL-6, glóbulos brancos e leucócitos encontraram-se elevados quando comparados com o grupo controle (levou em consideração a idade e o índice de massa corporal – IMC).

 

Algumas pesquisas apontam que os níveis circulantes de citocinas se devam principalmente ao fato do excesso de peso e não apenas a SOP por si só. O TNF-α é uma citocina que se expressa no tecido adiposo e induz resistência à insulina sobre efeitos agudos ou crônicos sobre o tecido. Apesar desses achados ainda permanece desconhecida a relação do aumento de TNF em mulheres magras com SOP.

 

Portanto, conclui-se que as mulheres portadores de SOP apresentam gordura excessiva nos depósitos viscerais e que isso aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Essa alteração na distribuição de gorduras é observada não só nas pacientes obesas mas também nas que apresentam peso normal.Distribuição de gordura alterada  e disfunção de adipócitos juntamente com baixo grau de inflamação crônica podem ser um novo mecanismo para contribuir para o risco cardiovascular na SOP.

 

Referência:

Mediators of Inflammation in Polycystic Ovary Syndrome in Relation to Adiposity

 

Thozhukat Sathyapalan and Stephen L. Atkin, 2010

 

Nutricionista Adriana Sampaio

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