Como lidar com crianças que demoram a comer – Reviva Nutrição

Como lidar com crianças que demoram a comer

Como lidar com crianças que demoram a comer

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Muitas vezes a criança demora a comer simplesmente por não ter fome. A criança a partir dos dois anos até aproximadamente aos seis anos se encontra em uma fase que chamamos de pré-escolar, que é caracterizada por um ganho menor de peso e de crescimento estatural em relação aos dois primeiros anos de vida. Devido a isso, as necessidades nutricionais e o apetite da criança diminuem, o que faz com que os pais fiquem preocupados e interpretem tal fenômeno como problema fisiológico.

Como mencionado, nessa fase a diminuição do apetite é normal, e o comportamento alimentar é imprevisível e variável. Em alguns momentos, a criança consome grandes quantidades de alimentos e, em outros, praticamente nada; ela pode aceitar determinado alimento hoje e em outro dia não aceitar; e o mesmo alimento pode ser aceito por dias seguidos. Os pais devem ficar tranqüilos: essa fase é transitória e é importante não só a quantidade, mas principalmente a qualidade dos alimentos que atenderão às necessidades nutricionais nesse período de vida da criança.

É importante respeitar o apetite da criança que é variável e irá depender de vários fatores como idade, atividade física, condição física e psíquica, refeição anterior e temperatura ambiente. Existe, ainda nesta faixa etária, a preferência pelo sabor doce, que é inato no ser humano, e que o dos demais sabores precisam ser “aprendidos”. Não devem ser encorajados comportamentos tipo recompensa ou castigo, para forçar a criança a comer, pois na maioria das vezes esta recusa pode ser reforçada.

É fundamental que as refeições e os lanches sejam servidos em horários determinados, diariamente, adotando uma rotina alimentar e evitando os “beliscos”, com intervalos de duas a três horas, suficientes para que ela sinta fome. Não se devem oferecer alimentos fora de hora ou deixar a criança alimentar-se sempre que desejar, pois não terá apetite.

É essencial estimular que as refeições principais sejam realizadas à mesa, de preferência com outros membros da família, com talheres adequados. Para despertar interesse da criança pelo alimento, uma refeição deve ter variedade de textura, cores e formas, evitando a monotonia alimentar. Recomenda-se 5 a 6 refeições diárias: café da manhã, lanche matinal, almoço, lanche vespertino, jantar e, se necessário, ceia. Deve-se estabelecer tempo definido para as refeições e encerrá-la após, independente da ingestão da criança, não devendo haver substituições, caso a refeição não tenha sido consumida adequadamente. Há crianças que comem toda a comida que há no prato em poucos minutos, enquanto outras demoram o que parece ser uma eternidade. Entretanto, não existem pesquisas que estabeleçam o tempo exato, mas recomenda-se cerca de 20 minutos para se realizar uma refeição completa. Porém, alguns estudos afirmam que, entre o início da refeição, com o estímulo da mastigação, e o envio de sinais de saciedade ao sistema nervoso central são necessários de 20 a 40 minutos. Portanto, considera-se que o tempo mínimo de uma refeição seja de 20 minutos, como citado anteriormente, para garantir esse estímulo à saciedade.

Não é recomendado o incentivo a “raspar” o prato, uma vez que a criança pode começar a perder a capacidade da saciedade pela mensagem neurológica e sim pela distensão gástrica. A oferta de líquidos deve ser controlada nas refeições, evitando distensão gástrica e saciedade precoce. Se a criança necessitar de ingestão hídrica, a água deverá sempre ser priorizada.

Não se pode esquecer da qualidade: limitar o consumo de alimentos com excesso de gordura, sal e açúcar, assim como o consumo excessivo de alimentos a base de soja, pela oferta excessiva de proteínas, fitoestrógenos e açúcares. Estimular o consumo de alimentos ricos em ferro e zinco, presente nas carnes bovina, de frango, de peixe, importantes para prevenir anemias; cálcio, presente nos leite e derivados, vegetais escuros e cereais como linhaça, gergelim e leguminosas como grão de bico; e vitamina A, presentes nos legumes amarelo-alaranjados, carnes e  ovos.

Por Ticiane Aragão

Referências

Mauro, Fisberg; Melisse, Tosatti Abykeyla; Leonel, Abreu Camila. A criança que não come: abordagem pediátrico-comportamental. Blucher Medical Proceedings, v. 1, n. 4, p. 176-189, 2014.

 

Weffort,Virginia R.S. et al. Manual do lanche saudável. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia. São Paulo, 2011

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