A dieta da mãe e sua influência no paladar e olfato do bebê – Reviva Nutrição

A dieta da mãe e sua influência no paladar e olfato do bebê

A dieta da mãe e sua influência no paladar e olfato do bebê

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A maior velocidade de crescimento e desenvolvimento é observada na fase intrauterina, sendo ela a base para todo o processo de desenvolvimento futuro, que irá repercutir ao longo da vida. Por isso a importância e preocupação em estimular uma dieta equilibrada e com aporte nutricional adequado a gestante, evitando assim doenças relacionadas a carências nutricionais.

Porém pouco se fala da importância da alimentação durante a gestação e sua influência na formação do hábito alimentar. Durante a vida intrauterina o feto é exposto a uma variedade de estímulos sensoriais capazes de interferir nas preferências alimentares ao longo da vida. Essa afirmação descarta então a associação feita pelos pais que a preferência do filho por determinado alimento é uma mera coincidência, e que a criança pode “parecer” com um dos pais.

Os estímulos sensoriais aos qual o feto é exposto estão ligados ao paladar e o olfato. Durante a gestação e ainda durante a lactação a dieta da mãe tem poder de alterar essas características sensoriais, potencializando alguns sabores e aromas, e outros não.

As experiências sensoriais ligadas ao paladar são captadas pelo feto através das papilas gustativas, elas conduzem as informações ao Sistema Nervoso Central. Essas informações são capazes de alterar respostas de salivação e sucção no feto.

Um estudo revelou que, durante as primeiras horas de vida, os lactentes exibiram expressões faciais de relaxamento e movimentos de sucção em resposta ao sabor doce dos açúcares. Já o sabor azedo do ácido cítrico concentrado provocaram caretas faciais. Indicando que alimentação da mãe durante a gestação alterou o paladar do bebe e contribuiu na formação das preferências alimentares deste.

Após o nascimento do bebê, a dieta da mãe continua influenciando os hábitos alimentares, através da alteração do sabor do leite a partir dessa dieta. Dessa maneira a criança vai sendo introduzida nos hábitos alimentares da família.

Além do paladar, o odor também interfere nas preferencias alimentares durante a vida intrauterina. O liquido amniótico que envolve o bebe no útero durante a gestação, é aromático, e seu aroma muito se assemelha ao aroma do leite materno, por isso a preferência do recém-nascido pelo cheiro do leite materno.

Porém o liquido tem seu odor influenciado pelo conteúdo da dieta da mãe. O Centro Europeu para ciências do Paladar, na França, realizou um estudo com um grupo de mães que consumiu balas de anis e outro grupo que não consumiu. Após as crianças nasceram pesquisadores pediram que elas cheirassem essência de Anis, as crianças cujas mães fizeram consumo da bala, imediatamente movimentaram a boca como se estivesse lambendo ou em ato de sucção, diferente das crianças cujas mães não consumiram que reagiram chorando, ou não manifestaram nenhuma reação.

Um odor “conhecido” indica ao recém-nascido o caminho para o peito da mãe, fonte de sua alimentação primária. Esse cheiro associa-se a lugar seguro, traz familiaridade, e alimento.

Conclui-se então que alimentar-se não é apenas nutrir, porém é ato de amor e responsabilidade para com o outro, através da contribuição em suas escolhas alimentares ao longo de toda vida, e que estas podem estar associadas a um estilo de vida saudável e protetor ou não. Gerar é ato de doação, essência do altruísmo.

 

Melina Almeida

Estudante de Nutrição

Trainee Reviva Nutrição

 

Referências:

ABRAMOVITZ, B. A.; BIRCH, L. L. Five-year-old girl’s ideas about dieting are predicted by their mother’s dieting. J Am Diet Assoc, v.100, n.10, p.1157-63, 2000. Disponível em: http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/ Acesso em: 25 ago.2003.

BIRCH, L .L. Development of food preferences. Annu. Rev. Nutr., v.19, p.41 – 62, 1999a. Disponível em:  http://periodicos.capes.gov.br Acesso em: 04 fev.2004.

Revista APS, v.10, n.1, p. 56-65, jan./jun. 2007

CARREIRO, Denise Madi; Correa, Mayra Madi. Mães Saudáveis tem Filhos Saudáveis- 2 edição- São Paulo, SP, 2010.

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